De fato, durante aqueles momentos, a sua existência física vira meramente um suporte para um alter ego — uma carcaça inerte e totalmente utilitária, para colocar com um pouco menos de pudor. Entretanto, como já diziam os antigos, “a vida continua”. Quer dizer, enquanto você se dedica arduamente para zerar um título, é certo que a realidade física — digo, aquela exterior ao jogo — continuará o seu movimento.

E, bem, como dificilmente chegará aquele dia em que o seu espírito será completamente transplantado para um Nathan Drake, um Kratos ou uma Lara Croft — cada qual com o seu ideal, novamente sem juízos de valor... —, é perfeitamente comum que algumas manobras sejam necessárias para que aquele seu jogo favorito seja, por fim, levado ao seu desfecho.
A noite é uma criança
Ok, as possibilidades são muitas. Pessoalmente, minha escolha sempre foi a existência notívaga. Sim, a escola e/ou o trabalho não permitem que o dia seja todo ocupado entre explosões em pixels e headshots. Isso deixa, naturalmente, a pergunta: “O que você faz entre meia-noite e 7 da manhã?”. É claro que a consciência aqui é gradual. Afinal, “faltam apenas algumas fases para fechar”, e, é claro, não custa dormir um “pouco” mais tarde.

“A locadora que espere...”
Em um sentido financeiro, há o clássico aluguel com devolução postergada. Quer dizer, se na época em que os jogos duravam menos — ou deliberadamente não eram feitos para que você pudesse zerá-los — o prazo dado pelas locadoras já era complicado, o que dizer de uma geração que conta com Final Fantasy XIII-2, Demon Souls e Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots.
Pois é, não tem jeito: o negócio é a lugar e devolver apenas quando cada canto do universo do jogo tiver sido devidamente desbravado — “depois eu vejo como faço para pagar isso”, é a frase mais comum.

Deixem-me salvar o mundo!
“Mas isso é ainda bastante comum”, alguém poderia dizer. É verdade. Quer dizer, quem nunca ouviu histórias de sujeitos que mandaram um relacionamento pelos ares para fechar um RPG? Questão de prioridade, é claro. Lembro-me de um amigo de infância que ia repetidas vezes às lojas de games para tentar avançar o máximo possível em um game — a dignidade nem sempre tem um preço muito alto...
É verdade que todo bom gamer tem uma boa história para contar. Algo para explicar aquelas marcas em lugares engraçados — por passar tempo demais sentado em um sofá, sem a devida ventilação... Parece errado ou exagerado às vezes? Talvez. Mas a vida é sempre uma questão de escolhas, certo? Só não espere colher os aplausos de uma campanha vitoriosa em Battlefield 3 no mundo físico — enfim, não se pode ter tudo.

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